aqui ou algum lugar

Reflexões de Cotidiano, crônicas sobre os aspectos mais corriqueiros das nossas vidas, do sentido da vida à mobilidade urbana, e tudo mais o que puder fazer aqui ou qualquer lugar melhor. Vamos pensar juntos?!

Turismo de Cotidiano. Um estilo de viajar, a partir de experiências e atenção sobre o dia-a-dia. Conhecer algum lugar além dos principais atrativos turísticos. Por seu sabores, cheiros, costumes e histórias que fazem qualquer local muito especial. Vamos viajar juntos?

Sabático, palavra de origem hebraica que significa repouso, é um período que algumas pessoas decidem tirar para repensar suas carreiras e vidas. Sair da rotina para tomar novos rumos. Conheça como foi a experiência!

Viajar sozinha é incrível! No Brasil e em muitos lugares do mundo…

25/02/2015

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Foto usada na reportagem do Dail Mail.

Foto usada na reportagem do Dail Mail.

Recentemente o jornal britânico Dail Mail divulgou uma lista sobre os destinos mais perigosos para mulheres viajarem sozinhas. O Brasil aparece como segundo da lista, sob os argumentos de cultura machista, estupros e violência. Na manhã desta quarta, 25/02, dei uma entrevista para o programa de rádio Jovem Pan Morning Show, da querida Dane Taranha, passando um pouco da minha experiência e visão sobre o assunto (por volta de 47 min na gravação): Infelizmente existe violência contra a mulher e alguns lugares requerem maior atenção e cuidado, mas isso não é motivo para uma mulher deixar de viajar ou ficar com medo de visitar alguns lugares. Não é essa a questão! Até mesmo porque viajar sozinha pode ser incrível, mas é preciso de preparação.

Com certa fama de sensacionalista do periódico, a reportagem não dá indícios de ter sido resultado de uma pesquisa séria levando em conta índices reais e abrangentes sobre atos de violência contra turistas em todos os destinos do mundo. Pelo contrário, parece uma coletânea de percepções, uma lista elaborada por comentários de alguns, percepção de internautas, e dados gerais sobre violência nos países citados. Esses dados, sem contexto, não necessariamente são uma informação específica e relevante para o viajante, e precisam ser vistos com cuidado, pois, em vez de ajudar, pode aumentar o medo e os mitos de algo incrível que é viajar, e, porque não, uma mulher viajar sozinha.

Publicações posteriores de duas blogueiras citadas na reportagem comprovam minha percepção. Elas falam abertamente do descontentamento do resultado da publicação. A americana Amanda Williams chegou a comentar na página do Facebook de seu blog A Dangerous Business que o artigo a irritou profundamente.

While it’s nice to be approached as an expert on a topic like this, I have mixed feelings about the article itself. No, actually that’s being too mild – this article pisses me off.” Veja o post complete aqui .
Algo do tipo: “Embora seja legal ser consultada como uma especialista em um assunto como esse, eu tenho sentimentos mistos sobre o artigo em si. Não, na verdade estou sendo muito leve – este artigo me irrita.”

A britânica Stephanie Yoder, do 20 and Something Travel, por sua vez, fez um post dedicado a todos os países da lista, inclusive o Brasil, listando os motivos para sim visitá-los e porque não os considera tão perigosos assim, com inúmeras fotos suas visitando esses lugares. Como ela diz, viajar como mulher é diferente do que viajar como um homem, mas não é inerentemente menos seguro. Ela ainda cita que alguns casos de violência mencionados para justificar a lista não são exclusividade de um país dito inseguro.

 “Sierra was killed by a homeless man who attempted to sexually assault her. Her death was 100% not her fault and something that unfortunately happens on streets everywhere in the world. http://www.huffingtonpost.com/2013/03/19/sarai-sierra-kiss_n_2907695.html
Explicando: a fatalidade ocorrida com a Sierra na Turquia aconteceu não por culpa da vítima, mas uma tentativa de violência por um morador de rua, algo que pode acontecer em qualquer lugar do mundo, infelizmente.
Do post Mulher Viajando Sozinha NÃO é o problema! (em inglês: Female Solo Travel is NOT the Problem

O próprio dado de aumento no índice de estupros no Brasil, segundo o Ministério de Saúde, usada na matéria do jornal como um dos argumentos  para o país constar na lista precisa ser visto em outro contexto. O dado é alarmante sim e a situação precisa ser tratada, discutida e endereça. A violência e abuso contra a mulher é um problema no país. Mas, segundo o próprio Ministério, esse aumento também tem relação com os critérios de classificação e um trabalho mais intenso para que as mulheres que sofrem abuso sintam-se mais seguras para fazer a denúncia (veja mais aqui). O dado, ainda, refere-se a todo o país e não sobre turismo e não está comparado com os mesmos números nos outros países. Dados precisam de contexto para fazer sentido, e devem ser vistos com cuidado.

Não se trata de “tapar o sol com a peneira”, o Brasil e os outros países mencionados têm sérios problemas de segurança pública e precisamos fazer algo a respeito. Mas não acho que uma lista desse tipo, com caráter de alarme catastrófico e dados misturados como argumentos, é o foco. Precisamos divulgar a questão sob outra ótica e, principalmente, as maneiras de se prevenir em qualquer situação.

Até mesmo porque viajar sozinha é incrível! Já viajei muito sozinha pelo Brasil e fora do país. Você tem oportunidade de se conhecer mais, refletir sobre a vida, interagir com mais intensidade com a cultura local, fazer bons amigos… Conheço muitas pessoas que deixam de viajar por falta de companhia, perdendo muitas coisas positivas que a viagem solo também pode te proporcionar. Mas é importante conhecer os cuidados que se deve tomar em cada local e em qualquer lugar.

A Turquia, por exemplo, um dos países também citados na lista, pode mesmo ser um pouco desagradável para mulheres sozinhas, especialmente em alguns lugares específicos, como pontos turísticos e mercados. Mas, também é um país lindo e acolhedor. Durante o sabático tive a oportunidade de passar quase um mês no país. Não apenas em Istambul e Capadócia, mas lugares como Nemtur, Selcuk, Fethyie, entre outros. Viajei com grupos de turismo, mas também algumas vezes de ônibus regular sozinha, com direito a parada em pontos de apoio da estrada (ainda preciso escrever sobre a diferença de banheiros, na Turquia o vaso sanitário não existe, é uma louça no chão!) e a comunicação na base de mímica em alguns casos. Mas, voltando ao assunto, não é inseguro, desde que se pesquise um pouco. Para mulheres, o ideal é se adequar um pouco à cultura local e evitar roupas com decote ou que deixam ombros, braços e pernas de fora. Não em Fethyie, que é cidade praiana, destino de muitos europeus, e já tem outro ritmo. Perto de Sultanahmet, em Istambul, região das principais mesquitas e museus, deve-se evitar ao máximo conversar com pessoas que te abordam na rua, assim como você faria no centro de São Paulo, Rio, Nova York, Paris… Eu chegava a ser mal-educada, contrariando minha personalidade e paixão por um bate-papo aleatório. Apesar disso, amei a Turquia! Fiz amigos muito queridos por lá e tive experiências incríveis, como estar de penetra num casamento, ou melhor, numa das celebrações do casamento turco que dura alguns dias.

O que eu penso sobre o Brasil estar na lista?

Como cidadã brasileira e morando no Brasil, precisamos ser sinceros, tal como foi uma das citações da reportagem: Viajar para o Brasil requer sim seus cuidados. Não podemos nos enganar que não há criminalidade e insegurança por aqui. Mas isso não quer dizer que seja um dos dez lugares mais perigosos ou que não é um destino incrível para mulheres viajando sozinhas.

Uma matéria da revista americana, The Atlantic, em 2013, com base nos dados do Governo do Canadá também publicou uma lista do mesmo tipo. Lá o Brasil aparece como região de atenção, mas não como um dos destinos mais perigosos, ainda que a autora da reportagem conteste essa classificação.

Uma viajante de apenas 21 anos, Kay, do blog Kay Days, que passou uma boa temporada no país cita em seu blog uma coletânea de coisas que você precisa saber antes de ir ao Brasil, com algumas dicas de segurança entre elas, como, por exemplo, não levar nada de valor para praia por conta dos furtos, especialmente se o viajante tem “cara de gringo” ou usar IPhone nas ruas. Ao mesmo tempo, indica fazer trabalhos voluntários em favelas para conhecer, de fato, a cultura local, segundo ela, uma experiência absolutamente enriquecedora.

Durante a Copa do Mundo, duas amigas australianas ficaram em casa, em São Paulo, por alguns dias e tinham que turistar por conta própria, dado que eu estava estudando e trabalhando naqueles dias. Dei as dicas de praxe (cuidem da bolsa, evitem ir com pessoas na rua, etc. etc.). Andaram de ônibus e metrô, fizeram roteiro São Paulo – Rio – Belo Horizonte de ônibus, e se divertiram muito. Amaram o Brasil!

 

Quais cuidados tomar quando uma mulher viaja sozinha?

Turista tem cara de turista em qualquer lugar do mundo, e precisa se cuidar. Vira alvo! Em países em desenvolvimento, a precaução deve ser maior. Alguns cuidados básicos podem evitar dores de cabeça maiores.

 

Consultar informações

Preparação e planejamento são fundamentais. Consultar informações sobre o destino, quais os principais golpes com turistas, regiões a serem evitadas e etc. Isso serve para homem e para mulher. Um amigo americano me contou que passou por um golpe típico para turistas em Istambul (uma pessoa começa a falar contigo de maneira bem simpática, te convida para ir a um barzinho, depois de uma ou duas cervejas chega uma conta astronômica e o segurança do bar te “força” a ir sacar o dinheiro no caixa eletrônico, pelo que me lembro ele chegou a pagar quase mil dólares nessa hora). Quando ele me contou, perguntei, “mas você não consultou as dicas de segurança na web?”. Sério, procurando “turist trap” (amardilha para turista em inglês) na Turquia no Google, essa é uma das primeiras que aparece.

Nessa busca de informações, não se atenha apenas a matérias e listas catastróficas como essa do jornal britânico. Blogs de viajantes que já estiveram naquele país ajudam muito. Se conseguir dicas de pessoas locais, melhor ainda. Wikitravel em inglês é excelente nesse quesito também.

 

Bom senso

Como dizia minha mãe, melhor prevenir do que remediar. Se está sozinha, aquelas velhas dicas valem em qualquer lugar: estar sempre atento aos seus pertences, evitar caminhar sozinha por lugares ermos e desconhecidos, não voltar tarde da noite para casa, não beber demasiadamente, evitar pegar táxi na rua, etc. etc.etc.  E tudo aquilo que você também precisa fazer na sua cidade natal, com os olhos um pouco mais abertos. Mulheres sozinhas são alvo. Se o lugar onde você vai tem um histórico maior de insegurança, redobre a atenção, mas continue aproveitando. Procure se adaptar à cultura local nas interações.

 

E viaje! Viaje muito! Sozinha, acompanhada, em grupo!

Continue viajando! Viajar é uma das experiências mais incríveis da vida!

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