aqui ou algum lugar

Reflexões de Cotidiano, crônicas sobre os aspectos mais corriqueiros das nossas vidas, do sentido da vida à mobilidade urbana, e tudo mais o que puder fazer aqui ou qualquer lugar melhor. Vamos pensar juntos?!

Turismo de Cotidiano. Um estilo de viajar, a partir de experiências e atenção sobre o dia-a-dia. Conhecer algum lugar além dos principais atrativos turísticos. Por seu sabores, cheiros, costumes e histórias que fazem qualquer local muito especial. Vamos viajar juntos?

Sabático, palavra de origem hebraica que significa repouso, é um período que algumas pessoas decidem tirar para repensar suas carreiras e vidas. Sair da rotina para tomar novos rumos. Conheça como foi a experiência!

Navegar é preciso

08/05/2013

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Pôr-do-sol no Rio Negro no primeiro dia do cruzeiro Navegar é Preciso

Pôr-do-sol no Rio Negro no primeiro dia do cruzeiro Navegar é Preciso

“Literatura flutuante”. Xico Sá, um dos convidados da terceira edição do “Navegar é Preciso”, evento promovido pela Livraria da Vila e Auroraeco, de 29/04 a 03/05, não poderia ter definido melhor o que foi a última semana de imersão literária em meio ao cenário exuberante do Rio Negro no Amazonas. Conhecer a Amazônia sempre foi um sonho. Combinar essa viagem com uma das minhas paixões, a literatura, tornou-se uma oportunidade singular. Compartilhar por cinco dias a delicadeza confiante de Marina Colasanti, a poesia reflexiva de Affonso Romano de Sant’Anna, a espiritualidade acolhedora de Frei Betto, a irreverência bem-humorada de Xico Sá, o conhecimento descontraído e inclusivo de Cadão Volpato. Além de tantas outras pessoas interessantes e cheias de histórias, que trocavam experiências e percepções nas conversas ao longo do dia. Como complemento, a gostosa sinfonia promovida pelas apresentações musicais do grupo Coisa Fina e o presente carinhoso da leitura de Clarice Niskier, incluída de improviso e extremo êxito na programação. Tudo isso em meio a natureza que impõe sua grandeza e beleza, que nos faz perceber que somos parte de um universo tão maior do que nós mesmos.

Amazônia, Brasil

Amazônia, Brasil

Boto em Novo Airão, Amazonas, Brasil

Num blog que inclui viagens e tudo o mais que passa pela minha cabeça, não posso deixar de contar um pouco como foi a experiência, mesmo que seja praticamente impossível descrevê-la. Apesar de não ser o estilo do blog, acho que não vou resistir a um tradicional relato de viagem e “cobertura” das apresentações. Afinal, foi uma programação intensa. Entre uma mesa literária e outra, vimos o encontro das águas, os botos de Novo Airão, os igapós (florestas alagadas), os igarapés (caminho nas águas), a praia de Tupé no meio do rio Negro. Infelizmente meu grupo não viu jacarés na atividade noturna, mas sim uma perereca que rendeu um belo alvoroço entre a mulherada daquele barco.

Encontro das Águas - Rio Negro e Rio Solimões, Amazonas, Brasil

Encontro das Águas – Rio Negro e Rio Solimões, Amazonas, Brasil

Vale um destaque para a meditação matutina com Frei Betto, que já ajudava a começar o dia com uma bela energia reforçada, após a renovação de cada manhã que entrava pela janela da cabine, propositadamente aberta, para a entrada luminosa dos raios do belo amanhecer no Rio Negro. E muitas reflexões, dos contos de fadas à política brasileira. Questões que não têm resposta simples, mas que merecem o pensamento crítico e observação atenta. Certamente renderão outros posts neste blog que trata de tudo um pouco.

Igapó (Floresta Alagada)

Igapó (Floresta Alagada)

  Autores e Mesas Literárias (minhas percepções)

Frei Betto estreou as mesas literárias, na terça-feira, trazendo espiritualidade e conexão com transcendente. Postura muito além da religião, pois, mesmo não sendo católica, compartilho de muitas de suas crenças e valores. Ao contar momentos de sua história, incluindo a prisão durante a ditadura e o retorno a liberdade, reforçou a importância de um propósito pessoal, ao se manter ocupado com o conhecimento e até aulas durante o período de reclusão. Sentido para a vida que vai muito além do seu trabalho.

A única mulher da programação, Marina Colasanti, encantou com sua doçura e feminilidade, ao mesmo tempo em que se posiciona de maneira forte e segura. Também surpreendeu a todos ao praticamente recitar seu conto de fadas a ser lançado de memória. Eu, particularmente, me emocionei muito quando ela falou que gostava de trocar ideias com Affonso Romano de Sant’Anna, seu marido, ao longo da construção de suas obras. Não é trocar ideias com qualquer um, apenas com ele. Casal inspirador no carinho e olhares de cumplicidade.

Justamente Affonso Romano, com sua sabedoria e experiência, prendeu a atenção na manhã do terceiro dia do evento. Sabe aquelas situações em que você busca ficar com os ouvidos muito atentos para não perder uma informação, uma estória, uma frase? Autor do poema e pergunta que continua atual, Que País é este?, muitas de suas palavras ajudam a refletir sobre identidade, cultura e história. Como em quase toda mesa, saí com uma questão que não tive tempo de fazer. Minha sorte, pois tive a oportunidade de conversar pessoalmente com ele a respeito da pluralidade da identidade brasileira, misturada e diversa em sua cultura e senso de pertencimento. Assim, fui presenteada pela generosidade e simpatia do casal que virei fã de carteirinha.

No contraponto divertido, Xico Sá, como esperado, arrancou boas risadas da plateia com os causos de sua história e perspectivas curiosas sobre a vida, relacionamento e, é claro, futebol. Ao contar as peripécias de seus personagens e algumas correlações com sua vida. Por conta do evento, ele interrompeu por alguns dias a atualização de seu blog, afinal, no meio do Rio Negro não tem internet, né? Uma das conclusões expostas nesta mesa, foi tema do seu post de retorno, sobre a importância de uma decepção para um homem. Reflexões de um confesso romântico, porém de dicas e constatações pouco convencionais, por assim dizer.

Cadão Volpato foi o principal mediador, exceto na mesa de estreia de seu romance Pessoas Que Passam pelos Sonhos, perfeita substituição de última hora do chileno Alessandro Zambra, que infelizmente não pode estar presente. Bom, eu já era fã de suas mediações na Flip e Festival da Mantiqueira, pois realmente ele estuda a obra de seu entrevistado e sabe como deixar as pessoas à vontade. Falava empolgado de seu romance, dos personagens distraídos que, por essa distração, podem viver coisas inusitadas na sua história. Acho que não é muito diferente na vida, não é mesmo?!

Navegar é Preciso 2013 - Mesa de Encerramento

Navegar é Preciso 2013 – Mesa de Encerramento

Na última mesa do evento, com a participação de todas as atrações da programação, o encerramento sincero do representante do grupo Coisa Fina me emocionou.” Se fosse para ler algum livro naqueles dias, não leria nenhum”, confessou. Como explicou, quando lemos um livro, nos transportamos para uma realidade diferente, o que não seria seu desejo naqueles intensos dias dedicados à literatura, à arte, à natureza. Eu, que já tinha dois livros comigo e comprei mais três, também não li nenhuma página sequer. Afinal, já havia me transportado para outra realidade de uma literatura flutuante no meio da maior floresta do mundo, cheia de biodiversidade e beleza.

Grupo Coisa Fina

Grupo Coisa Fina

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8 Comentários

  • Daniela Reis disse:

    Ju: Cada dia mais admiro a sua coragem de experimentar a vida. Você me transportou para a sua viagem. Delícia de ler seu texto! Para mim, a única coisa que não faz sentido é ter a sua ausência na Flip deste ano. Afinal, não tem como não lembrar de você por lá. Veterana da feira, me lembro quando disse que eu iria adorar e, de fato, acertou. Você fará falta neste ano. Beijos já com saudades da sua presença em Paraty.

  • Tânia Baitello disse:

    Começo referendando a Dani: você nos abandou na Flip deste ano, snif,snif…quer dizer, buá, buá….. berreiro. Quem sabe finalmente me inspiro para fazer um diário também? Afinal vou completar 8 edições de Flip.
    Além de adorar o relato do blog, e de sentir uma inveja enorme (inveja de verdade, admito descaradamente), eu então modestamente (hahaha) me lembrei: pera aí….posso me considerar em boa parte responsável por ter inoculado esse vírus de experienciar a literatura quando carreguei você para a sua primeira participação na Flip e no Festival da Mantiqueira, e depois carregamos Daniela….mas, tal como na atividade letiva, lá vai Juliana Rodrigues, disparando na frente e lá foi ela para Edimburgo e agora para o Navegar é Preciso..
    Não dá para competir, mas dá para compartilhar…. por melhor que esteja a descrição de sua experiência no blog, no nosso nível de envolvimento com a literatura, só naquele nosso prometido jantar mesmo…..

    • Tânia, obrigada mesmo pelas indicações e por ter ajudado a descobrir importantes “veias” minhas, como a literatura e o ensino, este último agora em stand-by. Inspiração que se transforma a cada dia em realidade e vivência, principalmente por compartilhar genuinamente. Te adoro muito!

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