aqui ou algum lugar

Reflexões de Cotidiano, crônicas sobre os aspectos mais corriqueiros das nossas vidas, do sentido da vida à mobilidade urbana, e tudo mais o que puder fazer aqui ou qualquer lugar melhor. Vamos pensar juntos?!

Turismo de Cotidiano. Um estilo de viajar, a partir de experiências e atenção sobre o dia-a-dia. Conhecer algum lugar além dos principais atrativos turísticos. Por seu sabores, cheiros, costumes e histórias que fazem qualquer local muito especial. Vamos viajar juntos?

Sabático, palavra de origem hebraica que significa repouso, é um período que algumas pessoas decidem tirar para repensar suas carreiras e vidas. Sair da rotina para tomar novos rumos. Conheça como foi a experiência!

Herança Lusitana, Identidade Brasileira

12/03/2012

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Quando eu comecei a planejar esta viagem, tinha algumas poucas certezas. Uma delas era que a jornada começaria por Portugal, mais precisamente Lisboa. Uma escolha nem tão aleatória, mas com uma boa pitada de intuição. A ideia foi procurar algo um pouco mais familiar para a primeira parada e, de certa forma, me acostumar aos poucos com a sensação de estar sempre de visita e de passagem. Falar português e estar em contato freqüente com pessoas que certamente conhecem o Brasil poderiam ajudar a produzir este sentimento.

A reflexão estava certa, mas definitivamente superficial. Não é apenas a língua que nos aproxima de Portugal. De fato, aproximar não é nem de perto o verbo mais apropriado para se usar. De certa maneira, uma parte do nosso país é uma produção de Portugal. Construímos uma história juntos e até parece família: uma relação de amor e admiração, mas sempre com alguma briguinha ou disputa. (risos). Ou, como disse nosso ídolo nacional Chico Buarque, “Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo” (Fado Tropical, à propósito a letra é sensacional sobre esta ligação entre os países, com todos seus paradoxos).

Talvez por estar disposta a fazer uma viagem não apenas turística, e sim de avaliação de identidade, acho que meu olhar está voltado para as semelhanças e o coração aberto para o que vier como sentimento. Além do mais, como disse na minha apresentação, sou uma típica brasileira e não tenho muita certeza sobre a minha descendência familiar. Diferente de muitos brasileiros, descendentes de imigrantes com a verdadeira noção de que são filhos de portugueses, espanhóis, italianos, africanos, judeus, alemães, libaneses, armênios, japoneses, coreanos e tantas outras nacionalidades que ajudaram a construir a nossa identidade diversa e misturada, eu me sinto um pouco de tudo isso e, acima de tudo, um resultado da história do Brasil. Por isso, não dá para ignorar o fato que sim fomos, não descobertos, dado que os índios já estavam aqui então descobriram antes (risos), mas criados muito a partir de Portugal, com tudo de bom e de ruim que aconteceu na história, como qualquer história e qualquer nação.

Herdamos mais do que a língua, a paixão por ela e pela magia de construir mensagens profundas e belas por meio de palavras bonitas, significativas e cheias de sonoridade. Por onde você passa, há um verso ou uma citação de um dentro seus tantos poetas e escritores, como as diferentes poesias que estão em cada um dos bancos ao redor da Torre de Belém. Assim como no Brasil temos música por todos os lados, com seus diferentes ritmos, mas com a língua portuguesa como eixo principal condutor das mensagens de sentimento e de vida que marcam o ser brasileiro.

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Herdamos a simpatia, tranqüilidade e abertura ao novo que é possível encontrar no dia-a-dia de Portugal. Um povo muito acolhedor, tanto aos visitantes como eu quanto pessoas de diferentes nacionalidades que escolheram Portugal como lar. O búlgaro que veio pra cá há oito anos porque se apaixonou por uma portuguesa e, de verdade, parece um português, para mim é um dos melhores exemplos, além de tantas diferenças que é possível observar nas ruas, bondes e comboios.

Herdamos a arquitetura, os belos azulejos , a risada gostosa, o “tim tim”, o cuidar, o “pois” e uma grande, importante e especial parte de nossa identidade.

Me encantei por Portugal e, com isso, reafirmei o meu amor e orgulho em ser brasileira.

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15 Comentários

  • Luiza Agreste disse:

    Ju! Faz todo sentido você manter um blog nesses seis meses!
    Serei leitora assídua. Aproveite, experimente, sinta novos cheiros, tons, sabores e compartilhe tudo! Beijo!

  • Lucas Ferreira disse:

    Encontrar a nossa própria identidade longe de casa faz pensar sobre o que faz a nossa casa nossa, sobre como as experiências e lembranças moldam quem somos e os nossos sentimentos. Valorizar o familiar é algo natural, mas ficar preso a isso limita quem somos.
    “O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
    Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
    Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.”
    É por deixar a casa para trás e se abrir para o mundo que sua viagem vai ser tão incrível, e se você reconhecer um pouquinho de si mesma nas próximas paradas será ainda melhor.
    Estou adorando o blog e as fotos. Parabéns.

    • Gisele Lupiani Massariol disse:

      Ju, a linguagem do blog está ótima! Leve, descontraida e com aquele gostinho de quero mais.
      Juro que, ao ler cada frase, me peguei ouvindo a sua voz em uma entusiasmada narrativa.
      Tenho certeza que o blog será um sucesso! Conte com a minha audiência, sempre!
      Enjoy it! Cheers! ;-)

    • Em pouco tempo sinto que a nossa casa está mais pelo quem do que pelo onde… Estou feliz por você estar aqui, e gostando do blog. (Mas o Tejo é definitivamente mais bonito que o Tietê… infelizmente…)

  • Marília Lobo disse:

    Jú, faz muito sentido. E o melhor de tudo, tem significado. Significado e intensidade que estão perdidos na vida de muitos. Viva intensamente e compartilhe conosco.
    Gostei de tudo, de todos os textos, da carinha (falei com as meninas ;)) e da leveza. Mantenha assim :P

    Bjs saudosos!

  • Bruna Pereira disse:

    Jú…adorei o texto…o trecho do Fernando Pessoa no banco é ótima!!! Quando teremos o próximo destino?! Rs…

  • Tânia Câmara Baitello disse:

    Amiga, já há algum tempo tomamos juntas o trem noturno para Lisboa. Agora você segue viagem. Não consegui encontrar exatamente aquele trecho mas acho que este que segue é o que melhor cabe, por ora: “quando falamos sobre nós próprios, sobre os outros ou simplesmente sobre coisas, o que pretendemos é – poderíamos dizer – nos revelar através de nossas palavras: queremos dar a conhecer o que pensamos e sentimos. Permitimos que os outros lancem um olhar para dentro de nossa alma.” (…)”Quando é que alguém era ele próprio? Quando era como sempre costumava ser? Ou como era quando a lava incandescente dos pensamentos e sentimentos enterrava todas as mentiras, as máscaras e autoilusões? Frequentemente eram os outros que se queixavam que alguém deixou de ser ele próprio. Talvez isso significasse, na verdade: ele não é mais como nós gostaríamos que fosse.” Continuaremos juntas mais esta jornada….. para as almas não há tempo nem geografia, há sincronia.

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