aqui ou algum lugar

Reflexões de Cotidiano, crônicas sobre os aspectos mais corriqueiros das nossas vidas, do sentido da vida à mobilidade urbana, e tudo mais o que puder fazer aqui ou qualquer lugar melhor. Vamos pensar juntos?!

Turismo de Cotidiano. Um estilo de viajar, a partir de experiências e atenção sobre o dia-a-dia. Conhecer algum lugar além dos principais atrativos turísticos. Por seu sabores, cheiros, costumes e histórias que fazem qualquer local muito especial. Vamos viajar juntos?

Sabático, palavra de origem hebraica que significa repouso, é um período que algumas pessoas decidem tirar para repensar suas carreiras e vidas. Sair da rotina para tomar novos rumos. Conheça como foi a experiência!

“Gambiarra” em exposição do Brasil em Londres! Visita a Casa Brasil vale a pena.

12/08/2012

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Para quem estiver em Londres, vale a pena conferir a exposição que a Casa Brasil realiza na Somerset House até o dia 08 de setembro. O nome é excelente e a exposição me surpreendeu: ‘From the Margin to the Edge: Brazilian Art and Design in the 21st Century’ (‘Da Margem ao Limiar: Arte e Design Brasileiros no Século 21’).

Uma amiga já havia me falado da Casa Brasil sugerindo a visita. A vontade foi reforçada ao ver a matéria na BBC em Londres recomendando a exposição brasileira. Quando então a Julia sugeriu irmos até lá, já não havia dúvida da programação. Tudo bem que este post está bem atrasadinho, mas como a exposição ainda está no ar, vale!

Anfitrião da próxima Copa do Mundo de Futebol e das Olimpíadas, país com forte crescimento econômico dentro do cenário mundial, pais de imensa riqueza cultural e diversidade em muitos sentidos. Como diz meu amigo Marcelo, a gente não é só diverso, a gente é misturado. O Brasil tem atraído cada vez mais atenção. E a exposição cumpre bem o seu papel de mostrar o País, como eles mesmos dizem até mesmo para os brasileiros, com honestidade, graça e leveza.

Para entender muito mais sobre muitos dos porquês da exposição, o áudio guia grátis é fundamental. Eu e a Julia inicialmente negamos, mas uma das obras despertou tanto nossa curiosidade que resolvemos voltar para pegar o áudio guia e buscar mais informações. Tudo bem que não exatamente explicava a tal obra, mas a introdução sobre a sala Cru/Cozido já dava uma boa ideia das intenções. A exposição inteira, baseada nestes contrapontos e opostos, trabalha muito bem com esta mensagem de paradoxos que tanto cabe no nosso jeito de ser brasileiro.

O segundo contraponto foi o que me ganhou! Apaixonada por línguas e linguagem, passei na pele muitas vezes por algumas saias justas de como explicar expressões brasileiras, tanto que ainda pretendo fazer o meu glossário de explicações que já envolveu o termo usado na exposição. Craftsmanship / Gambiarra: a intraduzibilidade da língua que reflete cultura, comportamento e, principalmente, traduz, cria e transforma a realidade.

“Não existe equivalente na língua portuguesa (o mais próximo é o neologismo “artesania”) para a palavra Craftsmanship, empregada em inglês para designar as idéias germinadas de alto grau de acabamento material e orgulho de trabalho bem-feito. Em compensação, inexiste tradução inglesa para o termo “gambiarra”. Essa falta de equivalência linguística sugere uma diferença profunda na maneira como as respectivas culturas contemplam a solução objetivo de problemas conceituais…” Trecho da exposição Da Margem ao Limiar: Arte e Design Brasileiros no Século 21, Londres, 2012.

Fantástico! O exemplo das duas palavras é valioso justamente por expressar essa diferente maneira de ver o mundo, com seus prós e contras em cada visão, e que faz muitas vezes com que um não entenda exatamente o outro, principalmente a partir da sua perspectiva, pelo contrário, comumente julgamos a nossa como correta. Este mesmo contraponto, de forma diferente, está muitas vezes nas conversas sobre as diferenças culturais e julgamentos por estereótipos de cada cultura. Neste caso, assim como a precisão e qualidade britânica, vemos também uma eventual falta de jogo de cintura ou, como diria a expressão, vão a qualquer lugar de paletó abotoado (bom, a expressão diz outro lugar, e é uma brincadeira, né?!). Em contrapartida, a flexibilidade e criatividade brasileira, mas que muitas vezes nos leva a aceitar situações provisórias como permanentes, ou se contentar com “pouco”. Afinal, uma gambiarra é isso, ou estou errada. Claro que existe todo o contexto histórico cultural que provocaram, e ainda provocam, a gambiarra. Muitas dessas gambiarras as quais nos acostumamos estão ligadas à necessidade em lidar com problemas sem a menor estrutura para isso. Característica, ao meu ver, própria do ser humano e sua capacidade de adaptação, porém talvez levemente acentuada no brasileiro.

Me lembro nos meus idos tempos de estagiária, e meus amigos Gilmar e Heliane, donos da gráfica parceira da empresa em Guarulhos, acho que vão lembrar disso também, espero que com boas risadas! Pasmem, no comecinho da minha carreira eu fiz muita criação de folders, cartazes, banners (Estou imaginando a cara de surpresa dessa gente fina, em particular as talentosas Natalia, Priscila, Elaine… faz tempo, viu?!). Eu era a rainha da gambiarra para conseguir colocar as coisas no papel, esconder uma parte da imagem, ou seja lá o que for, dando um trabalho incrível para a turma do Gilmar recriar de uma maneira decente para impressão. Ainda bem que eles eram super parceiros e gente boa! (Não tentem isso em casa, melhor contar com profissionais em design que façam as criações profissionalmente! rsrsrsrs). Hummm, mas até hoje faço muita gambiarra em apresentações de power point, confesso. Enfim, tinha um lado excelente, porque a gente conseguia criar muito mais rápido na empresa e ganhar na velocidade de aprovação. Mas o inconveniente era transferido para o tempo de produção, porque eles tinham literalmente que refazer o trabalho.

Você pode estar pensando, mas por que raios ela colocou isso na história? Para pensar na gambiarra que nos acostumamos pensando no meu exemplo, não no hipotético. A gambiarra tem um lado bom, claro, e se eu uso preciso ter a honestidade de admitir. Na exposição eles mostram um vídeo de um brasileiro fazendo um experimento que envolveria uma solução e infraestrutura caras, das quais ele não dispunha. Com criatividade, ele encontrou uma maneira diferente e barata de fazer, com bastante sucesso.

Muito bacana, encontrou uma solução! No entanto, não será que isso acaba fazendo com que não lutemos para o investimento sério, a infra correta, mesmo que mais cara. Solução paliativa que substitui a permanente? Arruma-se um conserto falso no telhado e não se constrói casas decentes? Consegue-se comprar um carro com prestações mais baratas e deixamos de cobrar um melhor transporte público? Sei que estou inclusive desafiando o próprio conceito de gambiarra. Mas realmente deixa de sê-lo?! O que você acha? Lembra de mais exemplos, bons ou ruins de gambiarra?

A exposição fecha com Rio 2016. Por sinal, marcas lindas e cheias de significado! Temos quatro anos pela frente. Apesar de ver o lado bom da gambiarra e a inegável contribuição para a criatividade e, muitas vezes, soluções inovadores para necessidades cruciais, não vai dar para usar muito este conceito na organização dos jogos. Neste caso, que tal tentarmos elevar a ideia e criatividade trazida pela gambiarra ao status de Craftsmanship?! Qualidade com gingado, taí um belo desafio e um belo jeito de ser brasileiro.

 

Para saber mais sobre Rio 2016, o site www.rio2016.org merece uma visita.

Exposição: http://www.rio2016.org/noticias/noticias/exposicao-da-margem-para-o-limiar-na-casa-brasil-em-londres-oferece-nova-visao-do-

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  • Genial o problema semiósico! Acho que a língua é, ao mesmo tempo, o que nos permite ampliar horizontes ou o que nos limita. E talvez um dos motivos da minha escolha e amor pelo design é entender que ele, por dever, extrapola limites da língua, uma vez que seu ponto de partida (e de chegada) é emocional.

    Olha.. e sobre a sua revelação (BOMBA!), a primeira reação é UAU! A segunda, já passada por regiões do córtex, é achar normal… impossível falar de comunicação sem pensar sua faceta visual (ó eu puxando a sardinha! hahahaha).

    Quanto à gambiarra, ela tem várias origens – como você destacou.
    E acredito sim que num primeiro momento do processo criativo ela é até bem-vinda… se é com a gambiarra que a gente consegue tangibilizar a ideia original, por quê não fazê-la? A questão aqui é usá-la com parcimônia e em momentos certos. Às vezes o tempo que se tem pra desenvolver um projeto é tão ralo que não vale a pena se dedicar a gambiarra! E com a experiência sua capacidade de prever a “materialização” da ideia aumenta e a gâmbis se faz desnecessária!
    Mas isso não é fórmula, é pessoal e depende de três fatores; o primeiro é essa capacidade de prever o resultado, a segunda é o conhecimento técnico e a terceira é o tempo.
    O que você chama de “lado bom” da gambiarra, eu digo que é o lado bom do processo criativo! São os tropeços do começo, que às vezes te abrem os olhos para outro universo!
    As “semi-soluções” da gambiarra quase sempre exigiram criatividade.

    Quanto ao comodismo, creio que é traço do povo. E talvez o que ele faça é impedir a visão correta para ideias criativas.. se o rascunho é visto como arte final, a ideia não tem espaço pra evoluir.

    Mas, enfim… palmas à criatividade! Seja de onde venha ou como for! hehe

    Beijos verdes e amarelos, Ju!!

    • Pri, palavras não te faltam para se expressar. Talvez por isso mesmo o design transborda. Lindo comentário! e realmente é o processo criativo que torna qualquer coisa mais interessante, mais efetiva e mais surpreendente. Usar a criatividade com clareza e qualidade. Amei seu comentário aqui, definitivamente enriqueceu a discussão! e merece ser citada: “se o rascunho é visto como arte final, a ideia não tem espaço pra evoluir”. E a vida é uma só, não permite rascunhos… o que queremos da nossa vida, né?! Beijos tb verdes e amarelos, com uma pitada de todas as cores! hehehehe, afinal, é aqui ou algum lugar!!!

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