aqui ou algum lugar

Reflexões de Cotidiano, crônicas sobre os aspectos mais corriqueiros das nossas vidas, do sentido da vida à mobilidade urbana, e tudo mais o que puder fazer aqui ou qualquer lugar melhor. Vamos pensar juntos?!

Turismo de Cotidiano. Um estilo de viajar, a partir de experiências e atenção sobre o dia-a-dia. Conhecer algum lugar além dos principais atrativos turísticos. Por seu sabores, cheiros, costumes e histórias que fazem qualquer local muito especial. Vamos viajar juntos?

Sabático, palavra de origem hebraica que significa repouso, é um período que algumas pessoas decidem tirar para repensar suas carreiras e vidas. Sair da rotina para tomar novos rumos. Conheça como foi a experiência!

O que pensei no dia em que completei um mês de viagem

09/04/2012

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O azul intenso do mar mediterrâneo atraiu o meu olhar. Impossível não admirar o oceano, imenso e belo, esteja ele calmo ou revolto, seja um dia de sol ou de chuva. No dia em que completava um mês viajando, foi exatamente assim que estive. Talvez pareça pouco, talvez pareça muito. O fato é que, não sei se pela intensidade dos dias ou pela variedade de paisagens, me parece impossível “contar” este tempo.

Quando comecei a pensar nesta viagem, tinha tantas ideias e expectativas (algumas gerais, outras bem específicas), tantos acontecimentos recentes e mudanças na minha vida em todos os lados e, de repente, tudo já mudou de lugar, em apenas um mês. Finalmente entendi que certezas e ideias preconcebidas muitas vezes só te afastam daquilo que pode realmente te fazer feliz. Da mesma forma alguns sonhos e expectativas.

Pensei em minha vida há um e dois anos. Mais do que a rotina ou o trabalho, percebi o quanto mudei. Não sei se para melhor ou não, seria muito esnobe dizer, mas me sinto com o olhar ampliado para diferentes aspectos da minha vida. Somos tão estimulados a pensar em carreira, que às vezes esquecemos que somos humanos. Pensei o quanto isso cega algumas pessoas, que vivem apenas pelo status de um cargo, de um título, de um real poder, mas absolutamente tolo quando se esquece de que estamos a serviço de um desenvolvimento maior das pessoas, da economia, da sociedade e do mundo, independente do qual trabalho você escolheu. Felizmente também tenho muitos exemplos do contrário, de pessoas que trabalham por propósito de vida. A diferença é nítida, basta observar com atenção.

Refleti na minha vida há 10 anos, depois da faculdade e, instantaneamente antes e durante um dos períodos de certa forma decisivos (não determinantes) em nossas vidas. Tantos sonhos realizados, tantos sonhos perdidos, tantos sonhos não planejados e vividos, tantas conquistas, tantos aprendizados, e orgulho do que foi realizado. E confiança pelo que ainda hei de realizar.

Me lembrei de tantas pessoas e amigos, alguns que estão sempre comigo e que, definitivamente, são os irmãos que a gente escolhe. Pode ser amigo da vida toda, do colégio, da faculdade, do trabalho, apresentado por alguém, de viagem… Enfim, estão lá, independente do relacionamento diário. E como são importantes. São aquelas pessoas que não necessariamente tem algo em comum com você, mas te faz melhor. Pessoas que te querem bem e que você quer bem.

Lembrei com nostalgia de outros amigos que perdi o contato. Uns pela tal “correria da vida”. Aqueles que eu sei que de alguma maneira, mas com certeza sem intenção, magoei. Tantos me magoaram de volta. Me arrependo das vezes em que fui dona da razão, fico triste ao perceber que com alguns simplesmente não há mais espontaneidade. No entanto, sorri ao perceber que para mim o que mais importa é saber que, apesar de tudo, eu ainda gosto deles. Que genuinamente estou feliz com as notícias quando recebo… As conquistas profissionais de um, o casamento de outra, as fotinhos lindas dos filhos e filhas. Em minha opinião, e isso vale para amores e para amigos, quando você ama uma vez, você ama para a vida toda. Passado o momento de tristeza do fim, fica aquele bom “querer bem”.

Caí no bom e velho clichê “todo mundo passa na sua vida por uma razão”, mas há realmente algo de verdade nisso. Afinal, nenhum clichê o seria se não fizesse algum sentido. Algumas pessoas, alguns momentos, algumas histórias são verdadeiramente tão transformadores, que você se sente privilegiada por ter vivido.

Percebi que sentir a falta de alguém e sentir saudade são coisas diferentes, não sei dizer qual é mais do que o outro. Simplesmente posso sentir saudade de algo que passou, mas não necessariamente quero que esteja ali comigo. Sentir saudade é do passado, sentir a falta é no presente. Algumas vezes sentimos as duas coisas juntas, e aí quando é impossível reter algumas lágrimas.

Reafirmei minha convicção de que a felicidade e tristeza convivem juntas. Sempre há algo para celebrar e sorrir, mas sempre há algo que não é exatamente o mais animador. Sentir ambos, e muitos outros sentimentos juntos, faz com que a gente se sinta vivo. A vida é linda por isso, e com tudo que vem dentro.

Pensei no que é o amor, e o quanto é mesquinho e ambicioso tentar defini-lo. Amor se sente, e basta.

7 Comentários

  • Karlla disse:

    Amiga que lindo esse seu texto e por alguma razão me encontrei nas suas palavras…na sua vida também! Saudades…bjs.

  • Mariane Gregorutti disse:

    Por enquanto o texto que eu mais gostei!! Algumas reflexões que me fizeram pensar….e refletir tbm!! Gostei muito!!! Estou adorando ler o seu blog!

    • Mari, você me fez ler o texto de novo!!! E tb sempre me faz refletir! Eu feliz demais em te ver por aqui e participando. Seja sempre muito bem-vinda aqui, em algum lugar e para trocarmos sempre durante esta caminhada da vida!!!

  • bruna amato disse:

    Ju, esse texto tem só um pouco se relação com tudo o que a gente conversou hoje: saudade, pessoas que por algum motivo passam na nossa vida.. Eu passei na sua e vice e versa a caminho de um campo de concentracão, com várias coincidências.. Um motivo tem, contida certeza!
    Seu texto é ótimo, vou continuar te acompanhando.
    Beijos!

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