aqui ou algum lugar

Reflexões de Cotidiano, crônicas sobre os aspectos mais corriqueiros das nossas vidas, do sentido da vida à mobilidade urbana, e tudo mais o que puder fazer aqui ou qualquer lugar melhor. Vamos pensar juntos?!

Turismo de Cotidiano. Um estilo de viajar, a partir de experiências e atenção sobre o dia-a-dia. Conhecer algum lugar além dos principais atrativos turísticos. Por seu sabores, cheiros, costumes e histórias que fazem qualquer local muito especial. Vamos viajar juntos?

Sabático, palavra de origem hebraica que significa repouso, é um período que algumas pessoas decidem tirar para repensar suas carreiras e vidas. Sair da rotina para tomar novos rumos. Conheça como foi a experiência!

Por que eu gosto tanto de estar na Flip em Paraty?

03/07/2015

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Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil (Fonte: Fotos Públicas)

Foto: Tânia Rêgo/ Agência Brasil (Fonte: Fotos Públicas)

Mais uma vez estou aqui me deliciando na Festa Literária Internacional de Paraty. Logo pela manhã fiz as contas com a querida Tânia Baitello, a quem agradeço por ter me incentivado a vir na minha primeira edição do evento em 2009: já estou na minha sexta Flip! Já virou praticamente uma tradição anual, com apenas uma exceção, bastante justificável, durante o sabático em 2012.

Com carinho, me lembrei do encantamento da primeira Flip e da riqueza das reflexões de tanta gente interessante. Estava em dupla com a super Rafa Carneiro, amiga parceira de muitas viagens bacanas e conversas enriquecedoras. A Festa tinha outra dimensão, a decoração da Flipinha na praça da Matriz era simplesmente encantadora e uma parte de mim se sentiu criança novamente.

Lembrança da Flip 2009!!!

Lembrança da Flip 2009!!!

Desde então, muita coisa foi mudando no evento. Realmente a decoração não é a mesma, mas o clima e a renovação de energia continuam valiosas para mim. Ontem mesmo, resolvi ver o encontro com Colm Tóibín de última hora, e sentei em frente ao telão para acompanhar a mesa. Finalmente encontraram a fórmula, pois, durante a noite, acompanhar a mesa pelo telão consegue dar aquela sensação de imersão e até mesmo me esqueci que estava ali no meio da praça entre a tenda e o café.

Claro, o emperramento econômico de 2015 também foi sentido por aqui. Nunca vi tantas pousadas com placa na porta anunciando que ainda há vagas. O pessoal da cidade também sente a diferença, como me falou a Dona Nice, minha anfitriã do Airbnb nessa minha estadia paratiense. Lembramos da Flip que tinha o Chico Buarque, a ponte de Paraty parecia um formigueiro de gente.

Mas por que é tão bom estar aqui?

Esse ano está sendo um bocado intenso! Tanto que quase não escrevi para o blog. Sei, estou bem em falta… E olha que tenho muito texto pendente sobre as lindas paisagens e turismo de cotidiano na Colômbia de montanhas, café e praias, sobre o sabor mineiro de Gonçalves, a incansável beleza carioca e os programinhas agitados da minha querida São Paulo. Seria falso atribuir a “culpa” apenas a tal correria da vida e, no meu caso particular, a altíssima demanda do mestrado. Claro, tem isso também, mas não é apenas a vida agitada. O primeiro semestre também foi muito intenso de reflexões para acertar o foco de tantos projetos bacanas (isso é sorte!) e mudanças significativas em formatos, parcerias e prioridades.

Intervalo reflexivo. Vir para a Flip é, então, aquele intervalo de cinco dias de imersão ao mundo de ideias e experiências. Um encontro com aquilo que amo: viagem e literatura, no melhor do cliché das viagens que os livros também proporcionam. As ruas coloniais de pedras do centro histórico de Paraty ajudam nesse clima de entrada numa outra dimensão. Ainda mais esse ano, pois estou realizando o sonho de me hospedar numa casa tradicional paratiense, de arquitetura colonial, janelas altas amarelas e azuis. Para mim, funciona um pouco como retiro ativo.

Janelas do meu quarto (Airbnb)

Janelas do meu quarto (Airbnb)

Algumas frases e reflexões ficam para a vida. O mesmo dom que escritores têm ao retratar sentimentos nos livros, muitas vezes, aparece nas conversas literárias. Quantas citações e referências repito ao longo dos anos de coisas que ouvi, senti e aprendi na Flip. Como o comentário excelente da soberba acadêmica de pessoas que acham que falar difícil é sinal de inteligência, pérola do presidente Fernando Henrique Cardoso. Ou os dados estarrecedores de Glenn Greenwald sobre as divulgações de Snowden. Me apaixonar por quadrinhos depois de conhecer Gabriel Bá e Fabio Moon numa mesa da Flip. Ser confundida como argentina por Andres Neumann. E por aí vai! Impossível mencionar aqui todos e tantos.

As mesas literárias são excelentes. Mesmo quando são ruins, são boas. Nem todo escritor é bom falando, tenho que ser sincera. Outros autores a gente discorda absurdamente que dá até um desconforto. Ainda assim, são excelentes. Sempre rendem boas conversas e aprendizados. Me lembro, por exemplo, de Terry Eagleton na Flip 2010, que criticava o racionalismo defendido pelo biólogo e ateu ativista Richard Dawkins. Nunca discordei tanto de uma mesa! Estive presente na mesa no ano anterior e me surpreendi e admirei o amor à humanidade de Richard Dawkins. Apesar de não ser ateia, concordo com muita coisa do que ele disse. Aprendi muito na conversa imaginária entre os dois conteúdos que formei na minha cabeça, graças a uma mesa que detestei. Porque mesmo quando são ruins, são boas.

Tenda dos autores Flip 2015 - Homenageado Mario de Andrade.

Tenda dos autores Flip 2015 – Homenageado Mario de Andrade.

Alguns mediadores valem a mesa. Ser mediador é um desafio bem difícil, e alguns são tão bons que a gente acaba escolhendo a mesa até mesmo pelo mediador. Eles fazem as melhores perguntas, introduzem o tema, estimulam a reflexão e conduzem a conversa a momentos de epifania. Ángel Gurría-Quintana é um deles, preferido da Tânia. Eu adoro o Cadão Volpato, que não está presente nessa edição, mas é figura carimbada por aqui, Festival da Mantiqueira e outros eventos literários. Ontem percebi o entusiasmo de Carlito Azevedo. Se prestarmos um pouco de atenção, é possível observar e aprender porque são tão bons nisso. Eles combinam humildade com inteligência, abertura com entusiasmo, respeito com diálogo. Aprendizado indireto, mas igualmente valioso para a vida.

Boas conversas, bons amigos. Ao longo dessas seis edições, muitas boas companhias e amizades “onde os nerds se encontram”, como diz a divertidíssima Dani Dalacqua, outra grande parceira de viagens literárias. Depois de algumas edições, minha irmã Daniela também se animou e hoje já é outra veterana de Flip. Algumas amizades feitas na Flip, como Nadi e Vera. Lucas também está chegando para complementar as belas reflexões após cada insight de uma mesa literária. Além das boas conversas nos cafés, filas, restaurantes. Eu amo gente e, muitas vezes, aqui, as pessoas estão mais abertas para trocar. Ontem mesmo escolhemos um restaurante pela simpatia do Guilherme e adoro saber das suas histórias por aí.

É Paraty! Além de tudo, é em Paraty. Mesmo nublada, é linda. Tem todos os atrativos de Paraty. Ano passado, demos uma escapada de uma tarde para visitar algumas praias e ilhas com os tradicionais barquinhos. Esse ano está nublado, mas mesmo assim é lindo!

Ah! Paraty!

Ah! Paraty!

Levo um pouquinho da Flip para minha vida. Quando me lembrei da primeira Flip, pensei em quanto mudei desde então. Muitas escolhas para uma vida mais simples, uma das melhores decisões que tomei para mim. A reflexão e a leveza não precisam estar restritas a cinco dias no ano. Porque a vida, no final das contas, é uma grande viagem da nossa própria história.

 

 

 

 

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