aqui ou algum lugar

Reflexões de Cotidiano, crônicas sobre os aspectos mais corriqueiros das nossas vidas, do sentido da vida à mobilidade urbana, e tudo mais o que puder fazer aqui ou qualquer lugar melhor. Vamos pensar juntos?!

Turismo de Cotidiano. Um estilo de viajar, a partir de experiências e atenção sobre o dia-a-dia. Conhecer algum lugar além dos principais atrativos turísticos. Por seu sabores, cheiros, costumes e histórias que fazem qualquer local muito especial. Vamos viajar juntos?

Sabático, palavra de origem hebraica que significa repouso, é um período que algumas pessoas decidem tirar para repensar suas carreiras e vidas. Sair da rotina para tomar novos rumos. Conheça como foi a experiência!

Comprar, comprar e comprar

24/09/2012

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A feição de decepção de Diane era evidente. A ideia de sair para comprar havia encantado a nossa host em Grenoble, sem realmente perceber que comprar demais não é bem meu estilo. Bom, eu disse demais, porque depois de seis meses absolutamente sem compras, acho que dei uma desviadinha. Nada comparado ao intenso turismo de consumo que presenciei muitas vezes ao longo da estrada, com direito a malas adicionais compradas, volumosos comprovantes para solicitações de Tax Free, aluguel do bagageiro em estações de trem e aeroporto, negociação com o marido ou namorado para o peso e espaço na mala. Lembro-me da mineira que conheci no hostel em Londres na minha primeira vez na cidade que tinha uma visita diária à Primark e só falava das lojas visitadas.

“Ela cortou minha lista de gastos pela metade”, contava Jack, marido de Diane, defendendo a competência consumista de sua companheira. Habilidade em economizar no preço, mas talvez não no volume (risos). Mas realmente me leva a voltar a mesmo questionamento de sempre: porque algumas coisas são realmente tão caras? E mais, de fato precisamos de coisas tão caras? Algumas compras simplesmente não entram na minha cabeça, como pagar mais de mil reais por uma calca jeans. E os preços no Brasil? Realmente o país, particularmente São Paulo, está ficando muito caro.

Aí quando brasileiro viaja, grande parte do tempo é dedicada ao turismo de consumo mesmo. E sua habilidade e sede de consumo conhecidos mundialmente (risos). Na Turquia, os vendedores sorriem mais para brasileiros e ouvi dizer que sabem mesmo que brasileiros compram! Para quem curte comprar, os preços de algumas coisas são muito melhores no exterior mesmo. Nos Estados Unidos então parece que qualquer coisa fica mais barata. Quando trabalhei numa multinacional americana, eu me lembro da brincadeira de um dos responsáveis sobre expatriados sobre o melhor programa turístico para brasileiros nos Estados Unidos: levá-los a compras, especialmente uma determinada loja de cremes ultra cheirosos, sem entender muito bem o porquê do fascínio.

O consumo no exterior de certa forma revolta sobre os preços em nosso país. Até entendo que o vinho francês seja mais caro no Brasil, mas mesmo os produtos nacionais não são tão baratos assim. Ah, o problemas são os impostos, e tudo que não recebemos em troca… O mais revoltante é ver excelentes sapatos produzidos no Brasil sendo vendidos com melhor preço no exterior do que conseguimos encontrar com facilidade em São Paulo. Porém minhas galochas, sim botinhas de chuva, já foram garantidas na França. Agora que decidi que vou tentar definitivamente a vida sem carro, um sapato apropriado para a chuva torna-se fundamental.

Nesta última etapa da viagem acabei também comprando um pouquinho mais. E ajudando a comprar. Também, depois de alguns meses minimalistas, a vontade de consumir pega um pouquinho. para aproveitar o que é realmente mais barato aqui. E estou seguindo a risca as dicas da querida Daniela Bittencourt. Falando em dicas, em Paris, pesquisando por perfumes porque o Lucas queria dar um de presente, encontramos uma ótima dica de loja que vendem para brasileiros e, pelo que percebemos, também para chineses, com preços razoavelmente melhores que a Sephora. A loja é Le Parfum de l’Opera, 3 Rue Helder, perto no metrô Ópera. Realmente bom, atendimento em português e bons preços. Eu não uso muito perfume, mais cremes, e neste caso adoro apoiar a indústria nacional, hum, se bem que algumas passadinhas em lojas específicas não vão faltar.

Em Londres eu curti demais Shoredicht (East) e Camden Town (North), com coisas super descoladas. A Primark tem excelentes preços, mas uma blusinha que eu comprei lá não durou três usos, vale a pena buscar coisas que não tenham alcinhas como a minha que quebrou. A TK Maxx realmente tem marcar com bons preços, a paixão da tcheca Zuzana que me indicou diversas vezes para ir até lá. E para quem curte marcas de esportes, a Sports Direct tem preços melhores que o Brasil. Eu não uso muito, então não comprei, mas vi alguns tênis da Puma bem charmosinhos por 16 libras.

Tá bom, confesso, particularmente hoje eu acabei me dedicando ao turismo de consumo mesmo. Mas não é nada demais. Presentes e livros estão no top da lista. Algumas peças de roupa mais baratas e souvenirs coçam as mãos. Eu prefiro investir meu tempo viajando para passear, conhecer lugares e conversar com pessoas a visitar grandes lojas. O problema mesmo são as feiras de artesanato e de antiguidades, programas que eu simplesmente adoro e que sempre atiçam minha dose consumista. No bom turismo de cotidiano, visitas ao mercado e farmácia estão no top da lista também, e sempre despertam uma ou outra aquisição.

Um aprendizado é certo, depois de seis meses convivendo com uma mochila, realmente precisamos de menos do que imaginamos. Mas comprar e coçar é só começar, realmente é gostoso. Só não acho que precisamos enlouquecer com marcas e quantidades. Espero mesmo que consiga viver mais assim, mais básica e desprendida.

3 Comentários

  • Euripedes disse:

    Mas você sabe que eu gosto de comprar determinadas coisas. Quanto mais velho eu fico, mais consumista eu me vejo. Mas um consumista um tanto quanto meio elitista. Não sou mais, como no passado, frequentador de liquidações…. Ah… gosto sim de artesanato.
    Saudade de você, querida. Feliz por, em breve, revê-la.

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